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Maratona em Portugal transforma promessa de filho pela cura da mãe em campanha de solidariedade às Obras Sociais Irmã Dulce
Uma promessa feita durante um tratamento de um câncer de mama, acompanhada de um pedido em prol da solidariedade, vai ganhar as ruas de Lisboa, em Portugal, durante uma corrida de 42 quilômetros. No próximo sábado (10), o jurista e atleta amador baiano Felipe Teixeira participará da Maratona de Lisboa para celebrar a recuperação da mãe, a advogada Nilzete Teixeira, e transformará esse desafio pessoal em uma forma de apoiar e incentivar doações às Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), instituição que acolhe mais de 3 milhões de pessoas por ano na Bahia, incluindo pacientes em tratamento contra o câncer. A campanha nasceu de uma promessa feita por Felipe na cidade portuguesa de Fátima, local que abriga o Santuário dedicado a Nossa Senhora de Fátima, antes da primeira cirurgia da mãe. Diante do diagnóstico de carcinoma invasivo, ele pediu que, caso Nilzete se recuperasse sem a necessidade de tratamentos invasivos ou sofrimento intenso, correria uma maratona, prova que nunca havia realizado e que exigiria dele uma preparação física e emocional completamente nova.
Além do desafio da corrida, Felipe decidiu também promover uma campanha solidária em prol das Obras Sociais fundadas por Santa Dulce dos Pobres, de quem a mãe é devota. Para quem está no Brasil e deseja participar da iniciativa, é possível contribuir via Pix por meio da chave umamaratona.muitasvidas@irmadulce.org.br. Para transferências internacionais, doadores podem acessar o link da campanha de financiamento coletivo através da bio do perfil Instagram da OSID (@obrasirmadulce). Os recursos serão destinados integralmente à entidade fundada pelo Anjo Bom.
Nilzete Teixeira foi diagnosticada com câncer de mama em 2025, quando decidiu antecipar os exames que realizava regularmente. Devota de Santa Dulce dos Pobres e Nossa Senhora, ela conta que a fé foi o primeiro socorro ao qual buscou no momento da descoberta do diagnóstico. “Quando eu recebi a notícia, eu chorei naquele dia, mas no outro eu acordei com uma sensação muito forte de que tudo ia dar certo. Manter a fé foi muito importante nesse processo”, explica. Ao longo do tratamento, a paciente realizou duas cirurgias oncológicas e seguiu o acompanhamento médico, mas sem a necessidade de quimioterapia ou outros procedimentos invasivos. Ainda no primeiro ano do diagnóstico, recebeu a resposta tão aguardada: a cura do câncer. Enquanto a mãe enfrentava o tratamento, Felipe decidiu interromper compromissos profissionais e esportivos em Portugal para acompanhá-la no Brasil. “Naquele momento, o mais importante era estar ao lado dela e transmitir segurança”, afirma o atleta.
Felipe já tinha o hábito de correr semanalmente em Lisboa, mas nunca havia enfrentado os 42 quilômetros que uma maratona estabelece. A distância foi justamente um dos motivos para escolhê-la como promessa: seria algo que reivindicaria dele esforço físico, disciplina e sacrifício. “Durante o período antes de ir ao Brasil, o que eu mais pedi, além da cura da minha mãe, foi que eu pudesse compartilhar essa dor com ela, para que ela não a sentisse sozinha”, ressalta.
Um gesto que salva vidas – De acordo com Nilzete, a ideia de unir uma maratona a uma corrente solidária de apoio às Obras Sociais Irmã Dulce surgiu do desejo de ajudar outras mulheres que enfrentam a luta contra o câncer de mama. “Realizei o meu tratamento em hospitais privados, mas justamente por ter tido acesso a uma estrutura de saúde que garantiu meu acompanhamento, decidimos direcionar a mobilização para uma instituição que atende pessoas em situação de vulnerabilidade de forma inteiramente gratuita”, explica. A escolha pela entidade também surge da ligação afetiva e familiar à instituição da Mãe dos Pobres: “Minha avó foi paciente do Hospital Santo Antônio há muitos anos e eu sou grata por ela ter sido tratada da forma que foi”. A baiana destaca, ainda, a importância de ampliar a conscientização sobre o câncer de mama, estimular o diagnóstico precoce e contribuir para que mais mulheres tenham acesso ao cuidado necessário.
Para Felipe, associar a promessa à OSID foi uma maneira de transformar uma experiência familiar em uma ação que pudesse alcançar outras pessoas. O resultado da corrida, porém, já tem um significado definido antes mesmo da largada: Nilzete estará em Lisboa para acompanhar o filho e os dois planejam correr juntos o último quilômetro. “Meu objetivo primário não é finalizar os 42 km. É fazer os 41, porque no último minha mãe vai estar comigo, correndo junto”, diz Felipe. A corrida também representa, para mãe e filho, o encerramento de um período marcado pela incerteza e o início de uma nova etapa. “Eu acho que esse sacrifício, da forma como a preparação foi feita, foi à altura da guerra que eu e minha mãe enfrentamos, da dor que a gente passou juntos, da preocupação e de tudo isso. Mas agora é um momento de gratidão. A dor e a tristeza já passaram”, confessa.
Legado de amor – Fundadas por Santa Dulce dos Pobres, as Obras Sociais Irmã Dulce acolhem mais de 3 milhões de pessoas por ano na Bahia, incluindo idosos, pessoas com deficiência, pacientes oncológicos, pessoas em situação de rua, crianças e adolescentes em situação de risco social, usuários de substâncias psicoativas, entre outros públicos. A OSID abriga hoje um dos maiores complexos de saúde do Brasil com atendimento 100% gratuito, com mais de 6 milhões de procedimentos ambulatoriais realizados por ano na Bahia. Entre os núcleos, está a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) Nossa Senhora de Fátima, que disponibiliza gratuitamente tratamento completo contra o câncer, incluindo procedimentos de radioterapia e quimioterapia, consultas ambulatoriais, internamento e cirurgias no campo oncológico.