Notícias
Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce no sucesso da reabilitação auditiva
"A primeira vez que Davi escutou foi muito gratificante. Eu pensei: graças a Deus, meu filho está ouvindo pela primeira vez, está nascendo auditivamente”. É assim que Alessandra Góis do Nascimento, da cidade de Euclides da Cunha (BA), resume uma das maiores emoções da sua vida: o momento em que seu filho, surdo desde o nascimento, pôde ouvir pela primeira vez com um ano de idade graças ao Implante Coclear realizado gratuitamente pelo Núcleo de Reabilitação Auditiva das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), reconhecido como um dos mais completos e modernos centros do Norte e Nordeste do país. Conhecido como “cirurgia do ouvido biônico”, o implante coclear compreende um avançado tratamento para pessoas com deficiência auditiva de grau severo e profundo. O implante caracteriza-se como um dispositivo eletrônico que estimula diretamente as fibras remanescentes do nervo auditivo, possibilitando ao usuário a capacidade de perceber o som.
A trajetória de Davi com a OSID começou aos três meses de vida. Após uma gestação tranquila, Alessandra foi surpreendida com a informação de uma suposta perda auditiva no teste da orelhinha, um exame simples, seguro e indolor, realizado em recém-nascidos, capaz de identificar precocemente problemas de audição. Foi esse diagnóstico precoce que mudou o destino do pequeno. “Graças ao meu aparelho, eu tenho um superpoder!”, conta Davi Nascimento, de 7 anos, portador de implante coclear. “Com ele, eu consigo escutar o som dos animais, da natureza, das pessoas falando... Quando eu tiro, não ouço nada. Gosto de tirar para dormir, para ficar no silêncio. Mas esse poder só quem tem são pessoas muito especiais!”
A história de Davi é prova de que quanto mais cedo o diagnóstico e a intervenção, melhores os resultados. Segundo o otorrinolaringologista da OSID, Helissandro Coelho, o tempo ideal para a intervenção é até os três anos e meio de idade. “Depois disso, ocorre o que chamamos de fechamento neurológico. O cérebro perde parte da sua plasticidade e a chance de desenvolver plenamente a audição e a linguagem diminui bastante. Por isso, o teste da orelhinha e a investigação a partir dele são tão essenciais”, destaca o especialista. No entanto, a realidade ainda é preocupante. Uma pesquisa realizada pela OSID com pais de crianças surdas revelou que 48,1% não sabiam se seus filhos haviam realizado o teste da orelhinha, exame tão essencial para um rastreio precoce. A desinformação e a falta de acesso dificultam o diagnóstico e atrasam a chance de uma reabilitação eficaz.
Atualmente, as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) realizam, em média, dois procedimentos de implante coclear por semana, o que representa cerca de oito cirurgias por mês. No entanto, a instituição dispõe de estrutura e equipe capacitadas para dobrar esse número, ampliando assim o acesso ao tratamento que devolve a audição a pessoas com perda auditiva severa.
O dispositivo também é altamente eficaz em adultos. Um exemplo é a psicóloga Giovana Braga, de 23 anos, moradora da cidade de Ribeira do Pombal (BA), que teve a vida transformada após perder a audição em decorrência de uma meningite. “Se a cirurgia não tivesse sido bem-sucedida, se eu não estivesse com o implante hoje, isso teria impactado muito minha socialização. Antes, se tivesse um grupo de pessoas aqui em casa, eu não ia de jeito nenhum para a sala conversar. Ficava agoniada, evitava qualquer tipo de contato. Hoje, graças às Obras Sociais Irmã Dulce e à intervenção imediata que recebi assim que cheguei, vivo uma vida normal”, conta. Ela ainda destaca o papel fundamental da instituição em sua reabilitação: “Sempre digo que ser acompanhada pela OSID é algo completamente diferente de qualquer outra instituição, a energia do lugar, o acolhimento. Só posso dizer que valeu muito a pena, o implante mudou a minha vida”.
Em uma sociedade onde a comunicação é fundamental, devolver a audição significa oferecer muito mais do que apenas o som. É possibilitar que a pessoa socialize melhor, conquiste autonomia e desfrute dos diversos sons que a vida oferece. A história de Davi, Giovana e de tantas outras pessoas atendidas pela OSID é uma prova que, com diagnóstico precoce, acesso ao tratamento adequado e acolhimento humanizado, o silêncio pode ser substituído pelo som da vida.
Sobre o serviço na OSID - O tratamento com implante coclear não se resume à cirurgia. O sucesso está no acompanhamento contínuo realizado por uma equipe multidisciplinar: otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas e assistentes sociais. E é exatamente esse cuidado completo que a OSID oferece gratuitamente, por meio do SUS. Desde 2011, o Núcleo de Reabilitação Auditiva da OSID já realizou mais de 800 cirurgias de implante coclear, atendendo pacientes de todas as idades, vindos de diversos municípios baianos e até de outros estados.
Localizado na sede das Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador, o Núcleo é reconhecido como um dos mais modernos centros de tratamento de deficiência auditiva do Norte e Nordeste. Além dos implantes cocleares, também realiza a concessão de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI), indicados para casos mais leves de perda auditiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um quarto da população mundial terá algum grau de perda auditiva até 2050. Já hoje, 20% das pessoas convivem com essa deficiência, que pode afetar drasticamente a linguagem, o desempenho escolar, a vida profissional e a saúde emocional de crianças e adultos. A boa notícia é que há tratamento eficaz, gratuito e disponível, como o oferecido pela OSID.
Sobre o Implante Coclear - O implante coclear é um dispositivo eletrônico que tem duas partes. Uma é implantada cirurgicamente dentro do osso temporal, na cóclea, e a segunda é o que faz o paciente captar os sons e enviar essa informação para o próprio implante coclear, que é o processador externo, estimulando diretamente o nervo auditivo, permitindo que pessoas com perda auditiva severa ou profunda possam ouvir. É indicado quando os aparelhos auditivos convencionais não são suficientes para reabilitar a audição.